por Manoel José Pereira Simão
O autor propõe a reflexão do tema a partir do pensamento de Ervin Laszlo sugerindo que o mundo passa actualmente por uma macrotransição. Macrotransição é uma mudança profunda, abrangente e irreversível que ocorre em todos níveis e sistemas. Para enfrentar esse maciço progresso tecnológico, não precisamos ter como foco principal os programas públicos ou corporativos nem os grandes esquemas económicos ou políticos. O fundamental é nos concentrarmos no factor critico de uma macrotransição: A Consciência Humana. Precisamos de uma mudança fundamental de valores - para assegurar que não deixemos passar esta oportunidade de salvar nosso planeta e a nós mesmos. Precisamos de uma nova maneira de pensar e de estarmos conscientes. O autor propõe a discussão dos dez princípios da ética planetária integrando os conceitos da transcisciplinaridade e da Transpessoal com a alfabetização ecológica de F. Capra.
"No passado, os povos e sociedades podiam levar várias gerações para criar a cultura que engrenasse com as mudanças que haviam produzido no modo e nas condições de vida; hoje, é durante nossos anos de vida que precisamos criar a cultura de que precisamos para sobreviver e prosperar no mundo em que estamos nos precipitando."
Como criar esta mudança é o que veremos nos trabalhos do Húngaro Ervin Laszlo[1], Fundador e Presidente do Club of Budapest.
A tese defendida por Laszlo (2003) é que o mundo passa actualmente por uma macrotransição. Macrotransição é uma mudança profunda, abrangente e irreversível que ocorre em todos níveis e sistemas. Neste nosso mundo em rápida mutação , novas eras tecnológicas surgem com frequência cada vez maior. Para enfrentar esse maciço progresso tecnológico, diz Ervin Laszlo [1], não precisamos ter como foco principal os programas públicos ou corporativos nem os grandes esquemas económicos ou políticos. O fundamental é nos concentrarmos no factor critico de uma macrotransição: A Consciência Humana.
Nesta primeira e crucial década do século 21, temos a extraordinária oportunidade de construir um mundo melhor. Podemos criar o futuro do nosso planeta. Podemos decidir nosso destino colectivo. Nossa evolução está em nossas mãos.
A queda do muro de Berlim e a tempestade política que varreu o mundo há pouco mais de uma década foram acima de tudo, testemunho do poder do espirito humano para confrontar adversidades. A Guerra Fria representava uma ameaça à segurança, liberdade e ao desenvolvimento de todo o planeta, criando uma barreira quase que intransponível entre os povos. Todavia, a combinação certa de visão humana e liderança corajosa, levou este período negro da nossa historia a um fim pacifico. Hoje, temos à frente outra ameaça, já responsável pelo grande sofrimento de milhões de pessoas: a degradação do meio ambiente. Para enfrentar este desafio global precisaremos novamente de uma visão clara comum, determinação e liderança decisiva.
O impacto e as previsões do aquecimento global estão piorando: a desertificação avança; o desmatamento e a poluição estão pondo nossos ecossistemas em perigo; e mais de 1,2 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável.
Vimos desastres ambientais com destruição incalculável de vidas humanas e da natureza: a curto prazo, nos últimos meses, ocorreram enchentes devastadoras em grande parte da Europa e sul da Ásia e destruição de petroleiros ao largos dos tesouros naturais das Ilhas Galápagos e dos recifes de barreira da Austrália; a longo prazo. Imensas áreas da Terra foram irremediavelmente marcadas pela perda de florestas antigas, manejo inepto de bacias hidrográficas e contaminação.
Muitos especialistas ambientais alertam que essas tendências já estão avançadas demais para que possamos alcançar a sustentabilidade real através de mudanças graduais; acreditam que dispomos de 30 a 40 anos parar agir. O tempo é curto e já estamos ficando parar trás.
Embora haja um número cada vez maior de iniciativas ousadas por parte de governos e líderes corporativos para a proteção do meio ambiente, não percebemos o surgimento de lideranças e disposições capazes de assumir riscos na escala que precisamos para enfrentar a situação presente. Embora existam inúmeras pessoas e organizações dedicadas a promover maior conscientização e provocar mudanças na forma que tratamos a natureza, ainda não vimos a visão clara e a frente unida que inspirarão a humanidade a reagir a tempo para corrigir nosso rumo.
Em Haia e Davos, vimos a formação de divisões Norte contra Sul e adeptos contra Globalização.
A situação é extremamente grave. É Crucial que achemos uma forma de realizar mudanças rápidas e abrangentes na consciência e acção humanas em todo o mundo - algo que nos permita provocar uma mudança de curso em grande escala em pouco tempo. Isto não será alcançado se permanecermos divididos.
O fim da Guerra Fria proporciona um exemplo de mudança movida por pessoas que alteraram positivamente o curso da história. Precisamos de uma mudança semelhante - uma mudança fundamental de valores - para assegurar que não deixemos passar esta oportunidade salvar nosso planeta e a nós mesmos.
Precisamos de uma nova maneira de pensar e de estarmos conscientes, uma nova ordem mundial que seja baseada mais em justiça e igualdade e menos em lucro. Pensávamos que a queda do muro de Berlim introduziria essas mudanças mas, ao invés, um mundo mais complicado evoluiu e, o que é mais preocupante, vemos até sinais de ressurgimento da militarização.
O que pode ser feito? Que tipo de liderança precisamos?
Mikhail Gorbachev ex-presidente da União Soviética refere cinco pontos são vitais nesse sentido:
Se nada for feito para atingir a sustentabilidade na primeira parte deste novo século, diminuirá a perspectiva para a sobrevivência da humanidade. Mas, "se pensasse que não havia esperança, não teria me juntado a vocês do movimento ambiental como Presidente da Green Cross International" (Gorbachev)
A natureza está nos dando todos os sinais que necessitamos para desenvolver uma visão comum do futuro: precisamos perceber esta mensagem e agir agora.
Vossa Santidade, o Dalai Lama, o ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o compositor Peter Gabriel, Sir Arthur Clarke e Jane Goodall, a cientista que viveu junto com os gorilas na África, estiveram juntos, no dia 20 de março, para celebrar o Dia Mundial da Consciência Planetária. O lançamento oficial do evento foi em Budapeste, na Hungria, mas 29 países participaram da festa, que é uma iniciativa conjunta de várias organizações internacionais e faz parte das comemorações do Festival da Visão Planetária 2001 - o PVF2001 - como ficou conhecido, lançado no primeiro dia deste terceiro milênio com grandes caminhadas em muitos países do mundo.
Ao redor do mundo, a comemoração do dia 20 acompanhou a trajetória do sol, começando ao raiar do dia na Nova Zelândia. Um por um, 29 países na Ásia, na Europa e na América, deram início às festividades, até que, quando o sol nasceu em Samoa, na Oceânia, todos foram parte da grande corrente
A idéia dessas celebrações é provocar discussões globais sobre temas como ética e cidadania e conscientizar os habitantes do nosso pequeno planeta da importância de um esforço conjunto para construir um futuro melhor para todos. "Se agirmos com responsabilidade e compaixão, podemos mudar a maneira como nós nos relacionamos uns com os outros e com o planeta. Esta iniciativa de chamar atenção para o fato de que a humanidade é uma só e para a necessidade de desenvolvermos uma consciência planetária é admirável", aponta Arthur Clarke.
O Dia Mundial da Consciência Planetária, assim como todas as ações do PVF2001, são iniciativas do Clube de Budapeste. Entre seus membros ilustres, o Clube conta com líderes nas mais diversas áreas do saber humano, como o Dalai Lama, o bispo Desmond Tutu, a historiadora e feminista Riane Eisler, o filósofo Edgar Morin e o coreógrafo Maurice Béjart. Para a realização do PVF2001, o Clube buscou a parceria de outras organizações internacionais, como a Associazione Culturalle dei Triangole e della Buona Volontà Mondiale e a Pathways to Peace.
Em cada país, a celebração da Consciência Planetária incluiu um painel das tradições culturais de cada povo, o que significou muita música e danças, além de palestras e debates sobre questões como consciência e educação, ciência e espiritualidade [2]. Ao longo do dia, as pessoas foram incentivadas a refletir sobre seus próprios valores, seus conceitos de certo e errado, suas visões sobre a vida e sobre suas comunidades e, ainda mais, sobre todas as comunidades humanas de modo geral, ricas e pobres, modernas ou tradicionais.
"O mundo seria um lugar dramaticamente diferente se a humanidade reconhecesse que todos pertencemos à mesma família", disse o bispo Desmond Tutu. Depois do Dia Internacional da Consciência Planetária, talvez nós estejamos mais perto desse ideal.
(Diretrizes do Clube de Budapeste para pensar globalmente e moralmente na aurora do século XXI, baseadas em valores que representam o interesse esclarecido de todos os seres humanos, culturas, sociedades e vida na bíosfera.)
Viva com respeito pelos outros e pela Natureza
Aja para criar um mundo melhor
Desenvolva sua consciência para desenvolver o espírito humano.
O ataque kamikazi de 11 setembro ao World Trade Center em Nova Iorque e ao Pentágono em Washington foi uma ofensa contra toda a vida humana e toda civilização. Nós condenamos este ato de terrorismo e chamamos às pessoas éticas e amantes da paz do mundo inteiro a se unirem para pôr um fim ao terrorismo e à violência em todas suas formas. Não há solução para os problemas do mundo, matando pessoas inocentes e destruindo suas casas e lugares de trabalho.
Se nós queremos ter sucesso em erradicar a violência e o terrorismo no mundo, devemos agir com sabedoria. A violência e o terrorismo não serão derrotados por retaliação, pelo princípio de olho por olho e dente por dente. As raízes fundamentais da violência jazem mais fundo que o engajamento fanático de terroristas e as reivindicações religiosas de fundamentalistas. Matar um grupo de terroristas não resolverá o problema: enquanto as raízes estão ai, outros aparecerão em seu lugar.
O terror que vem a tona no mundo de hoje é um sintoma de frustrações, ressentimentos e injustiça percebida, existentes há muito tempo e profundamente arraigadas. Nós do Club de Budapest estamos comprometidos para buscar as causas de estes factores que provocam ódio e violência, e sugerir formas pacificas e efectivas para que possam ser superados. Até que e a menos que as causas profundas sejam eliminadas, não haverá paz no mundo, apenas um interlúdio incerto entre atos de terrorismo e hostilidades de grande-escala. Quando as pessoas estão frustradas, abrigam ódio e o desejo de vingança, eles não podem relacionar-se uns com outros num espírito de paz e cooperação. Se a causa é o ego ferido de uma pessoa ou o amor-próprio ferido de pessoas, e se é o desejo para uma vingança pessoal ou uma guerra santa para a defesa de uma fé, o resultado é violência, morte, e catástrofe. Atingir a paz no coração das pessoas é uma condição prévia para atingir a paz no mundo.
"A humanidade está vivendo uma das mais fundamentais mudanças de sua história - uma mudança na atual estrutura de crenças da sociedade ocidental. Nenhum poder económico, político ou militar pode ser comparado com o poder de mudança da mente. Mudando deliberadamente as suas imagens da realidade, as pessoas estão transformando o mundo." Willis Warman.
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(1) NEC – Neurociências e Comportamento do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; Alubrat – Associação Luso-Brasileira de Transpessoal – São Paulo, Capital; UNIPAZ – Universidade Holística Internacional; INPTVP – Instituto Nacional de Pesquisas e Terapia Vivencial Peres.
[1] Ervin Laszlo é o fundador e presidente do COB - Club Of Budapest, fundador e diretor do General Evolution Research Group e diretor cientifico da International Peace University de Berlin. É autor ou co-autor de 36 livros traduzidos em 16 idiomas, e organizador de outros 30 livros, incluindo uma enciclopédia em 4 volumes. Com doutorado em filosofia na Sorbonne, Laszlo lecionou em grandes universidades dos Estados Unidos, Europa e Extremo Oriente, tendo recebido diversos títulos honorários.

Manoel José Pereira Simão é Psicólogo, mestrado em neurociências e comportamento pelo NEC- USP, pós-graduação em psicologia e Saúde pela UNIMARCO, especialização em psicoterapia transpessoal , TRVPeres e terapia cognitiva-comportamental.
Fale com a Autor(a): contato@inic.com.br