por Prof. Dra Monica Borine SP
Bom dia a todos que estão presentes e que deixaram seus lares para compartilhar este evento.
A Consciência relacionada com a psicologia é o foco principal neste Congresso, e para isso convidamos a todos os presentes para participar das informações, pensamentos, conhecimentos e reflexões.
Não temos aqui a pretensão de conseguirmos todas as respostas para a compreensão da Consciência, mas sim dar um panorama inicial para uma reflexão mais profunda poder emergir a partir deste espaço de conhecimento.
Em primeiro lugar quero agradecer a todas as pessoas que estão aqui presentes e que se interessaram pelo tema da "Consciência".
Quero agradecer a todas as pessoas que colaboraram para a realização deste evento e principalmente aos congressistas que estão hoje aqui para mostrar o que existe de mais avançado no estudo deste tema tão abrangente que é a Consciência.
É um momento especial, pois se trata do I Congresso de Psicologia da Consciência, creio mesmo que as pessoas que estão aqui, são as pessoas que de alguma forma se conectaram com este tema e tenho certeza que os profissionais que por aqui proferirem seus conhecimentos são os mais qualificados para este evento.
Na realidade o discurso científico sobre a consciência rouba-lhe um tanto a sua grandeza e o discutir seu fundamento cultural irá roubar o seu brilho.
Não poderemos como pesquisadores, dentro das ciências atuais perdermos o mais sutil dentro de nós o nosso afeto, a nossa sensibilidade e o amor. Certamente a intenção de nossas pesquisas em psicologia é promover o bem estar e o saudável.
O homem contemporâneo foi capaz de desenvolver uma civilização com conhecimentos fantásticos numa velocidade estonteante de alguns poucos séculos atrás. Hoje já chegamos no planeta Marte com as nossas mais avançadas tecnologias e nossos mais aperfeiçoados robôs. Já desvendamos o genoma, já criamos clones, computadores de última geração, já estamos discutindo as mentes artificiais e possivelmente até máquinas com sentimentos.
As descobertas auxiliaram o ser humano em muitos aspectos, pois a tecnologia se desenvolveu principalmente depois da segunda guerra mundial, mas devemos considerar como está se desenvolvendo a nossa civilização na atualidade.
Então podemos perguntar: Para onde estamos caminhando?
A corrida tecnológica caminha estonteantemente avançando cada vez mais. Hoje sabemos que o que era ficção pouco tempo atrás hoje é realidade, como é o caso da máquina do tempo que poderá enviar seres humanos no tempo. Ela está sendo construída pelo Dr. Mallett, professor da Universidade de Conecticut nos Estados Unidos, que afirma ser possível voltar no tempo e enviar partículas subatômicas para o futuro, trazendo do futuro informações com dados científicos. Se isso é real temos um grande avanço científico. Estaremos falando da quarta dimensão. Uma dimensão além das três que nós conhecemos: largura, comprimento e altura.
O que isto ocasionará na vida e na consciência humana?
E, assim, o conhecimento do mundo avança incansavelmente trazendo para o presente o que há alguns poucos anos atrás era o futuro.
A religião teve seu auge em tempos remotos perdendo grande espaço para a ciência no final da idade média, pois até então predominava a alquimia e a astrologia, depois a medicina como pratica pagã.
Roger Bacon teve uma visão e viu o mundo técnico do futuro, para ele o conhecimento da ciência natural conduziria o ser humano ao conhecimento de Deus, formando assim uma unidade.
Nesta época a ciência experimental, a religião, a alquimia, a metafísica faziam parte do conhecimento do homem. Bacon afirmou que para ele o verdadeiro cientista é o homem espiritual, aquele que tem a sua atenção voltada para a natureza de Deus.
Surgiram ciências biológicas e humanas tentando olhar para o homem e explicar sua natureza peculiar.
O segundo milênio passou, o imediatismo tomou conta do cotidiano, e hoje ouvimos muitas pessoas dizendo que não podemos perder tempo, porque o tempo é "dinheiro".
Se você está com dor, toma uma pílula, está triste ou com medo toma "fluoxetina", está em crise toma um antidepressivo.
Ouvi a duas semanas atrás da Dra. S. Andrews falar num congresso que, nos Estado Unidos as escolas estão dando medicamentos para as crianças diminuírem a hiperatividade.
Parece que nós saímos da era de Freud, a da neurose, onde a psicoterapia tratava de neuróticos para hoje na atualidade onde a mais de 25 anos o que encontramos nos consultórios, segundo estatísticas gerais dos órgãos de saúde mental é a psicose. Antes eram as famílias neuróticas, hoje temos as famílias psicóticas com distúrbios e dissociações.
Hoje as pessoas ficam horas na frente da T.V. obtendo informações imediatas e virtuais ou no computador, onde praticamente o tempo e o espaço são inexistentes. É a era da informática, é uma era onde o homem está interagindo com a máquina, se adaptando e incorporando a máquina.
Quais serão as alterações, devido esta interação, para a consciência humana, à medida que cada vez mais lidaremos com computadores e máquinas sofisticadas?
Hoje temos muitas facilidade em nosso cotidiano em relação à poucos anos atrás. Pois, basta somente apertar alguns botões para acessarmos benfeitorias para todas as nossas necessidades básicas.
Nos paises desenvolvidos existem mais botões e mais tecnologias facilitando a vida das pessoas ao ponto de no Japão as pessoas estarem entrando em crise, porque compram um celular hoje e dali a algumas horas já existe um modelo novo no mercado. O não tempo para processar o ritmo alucinante da tecnologia está fazendo muitas pessoas entrarem em crise.
No mundo internacional em geral vemos o terrorismo, no nosso país a violência o desmatamento e o "mensalão".
As doenças da atualidade entre outras são: Aids, ansiedade, síndrome do pânico, stress, depressão.
Pela Associação mundial de Saúde dentro de 20 anos a depressão será a doença que assolará a humanidade.
Muitas pessoas sem respostas para seus problemas buscam formas alternativas em seitas e algumas religiões.
Atormentado pela fúria da natureza o homem tenta inutilmente conter terremotos que tem assolado o planeta. Grandes tsunamis, enchentes, furacões, a ruptura da camada de ozônio o descongelamento das geleiras e até gigantescos meteoros que podem dizimar cidade inteiras como foi o meteoro que passou em 2002 não sendo muito divulgado para não alarmar a população. Aproximações estas perigosas para o Planeta Terra, que estão fazendo os cientistas da Nasa contratar os maiores peritos do mundo e treinando equipes especializadas de cientistas para tentar conter e desviar das suas rotas os meteoros que podem ser uma ameaça ao planeta Terra.
Dentro desta realidade que nos permeia lembremos do pensamento e da filosofia. Antigamente a filosofia preocupava-se com o ser e em nossa época nós nos preocupamos com o conhecer. Vivemos o pós-modernismo cuja característica é informático imediatista. Há uma questão fundamental da ética utilitarista que precisamos parar para pensar. Por que se não pensarmos poderemos ser engolidos por ela.
Hoje os fins justificam os meios. A questão da serventia que transpassa o nosso raciocínio.
Na época de Platão ou Sócrates valorizava-se o pensamento e a práxis era desencorajada e hoje estamos na outra polaridade porque valorizamos o fazer para se ter e não o ser.
É um fazer desarticulado do pensamento. Hoje temos uma hiper valorização da práxis sem o pensamento.
As pessoas não têm tempo para pensar, pensamentos profundos, pensamentos sobre a natureza, possivelmente deixam isso para os intelectuais ou cientistas.
Nos Estados Unidos basicamente o último intelectual foi Wilhelm James e na França Fucoalt e Sartre diz Gerard Leclerc da Universidade de Paris.
Hoje existe uma eclípse de intelectuais no mundo, porque vivemos no momento numa era de relativismo histórico, num momento onde não há mais verdades absolutas, onde existem vários paradigmas emergindo. Possivelmente um que dará vazão ao nosso momento de perspectiva histórica que é a globalização.
É possível que a angústia existencial da nossa era leve o ser humano a pensar na sua natureza e em sua existência.
De fato agora a ciência se interessa pela Consciência. O mistério ainda não revelado.
Talvez o último dos grandes mistérios para o homem conhecer. De uns trinta anos para cá, este tema tem chamado a atenção de biólogos, neurologistas, psicólogos, filósofos da atualidade e até físicos.
Tema antes renegado a filosofia, teologia e a religião, hoje é emergencial para a compreensão da natureza humana.
Na realidade as ciências da mente questionam a possibilidade de criar máquinas semelhantes a seres humanos e especulações são feitas em relação a questão das máquinas com consciência.
Enquanto isso e paralelamente é importante todos saberem que o pobre doente no leito psiquiátrico sofre esperando a compreensão do seu sentido de vida pelos doutores da saúde, sendo que hoje cada vez mais, grandes laboratórios investem grandes somas de dinheiro em grandes pesquisas com fármacos dando um status elevado aos medicamento, sendo ele a grande vedete das soluções imediatas. Precisamos questionar estas possibilidades como solução. Sua praticidade e objetividade.
O indivíduo que está cindido na realidade chora por um paradigma uno. Um paradigma que ultrapasse as cisões da psicologia e da psiquiatria.
A psicologia tem ajudado um número imenso de pessoas em suas vidas nas mais variadas dificuldades tanto em aspectos pessoais quanto sociais. Ela vem tentando compreender a natureza do homem e da sua consciência através dos tempos: o comportamento, os estados da consciência, os sonhos, a existência, a linguagem, a cognição, emoção, a atenção a aprendizagem, mas cada vez mais percebe que a compreensão da mente humana é um grande "elefante". Então o que ocorre é que enquanto um conhece a pata e não olha para o que o outro vê que é a cabeça, o outro percebe a orelha, mas não olha o dente e o todo acaba se perdendo nas partes.
O reducionismo faz perdermos o todo. Além disso, a discussão que sempre existiu no mundo científico continua entre o monismo e dualismo na questão mente e corpo.
A proposta da Psicologia da Consciência é de integração. É unificar as cisões de forma a possibilitar uma noção e visão integral da consciência humana, dentro de uma visão sistêmica que possa interagir nas vertentes fundamentais da psique.
Isto é um desafio, porque é uma construção que não depende de somente um ramo do conhecimento, mas que necessita das interdisciplinas e das transdiciplinaridades. De visões sem preconceitos numa reunião e integração do conhecimento de forma irmanada para dar vazão a uma facilitação de novos paradigmas de conhecimento.
Nesta forma de pensar teremos aqui neste Congresso palestras que representam uma reunião de conhecimentos de filosofia, neurociências, parapsicologia, biologia, psicologia, arte, etc.
De preferência tentando costurar lacunas, fazendo conecções para cada nível da consciência humana, o biológico, o mental, o social, o espiritual.
Uma psicologia baseada num modelo Integral é uma proposta que define um paradigma específico para a compreensão da consciência.
Que os neurologistas descubram os mecanismos biológicos do cérebro e a consciência, que os físicos encontrem holográficamente a relação do cérebro com o cosmos, que a filosofia faça um link enfatizando a importância da experiência da consciência, que a teologia religue a consciência com a totalidade.
E sendo assim, que a psicologia se aproprie e se aprofunde no que lhe é de direito e que faz jus ao seu nome: "O tratado da alma", da mente e da consciência humana.

Monica Borine é Doutoranda em Psicologia da Saúde e Avaliação em Saúde Mental. Tem Mestrado em Psicologia da Saúde em Neuropsicofisiologia pela USP/UMESP. É Psicóloga clínica a mais de 20 anos. Educadora, Pedagoga e docente. Pesquisadora da Consciência, corpo, emoção e cognição. Formada em Hipnose Clínica pelo Centro Oswaldo Cruz – USP, Psicoterapeuta Corporal, Psicoterapia Reichiana, Análise bioenergética. Pós graduada em Core Energetics pelo New York Institute, USA com Dr. John Pierrakos.
Fale com a Autor(a): contato@inic.com.br