por Prof. Dra Monica Borine SP
O que é uma Família Viva?
O termo vivo se relaciona a uma realidade biológica e bioética.
Quanto à família ela é a troca constante entre o individuo e seu meio que o inscreve num ciclo bioquímico e numa cadeia psíquica. As noções de interação e reação são, assim, indispensáveis à toda reflexão sobre a vida e suas modalidades.
Podemos classificar as famílias
1- Famílias vivas
2- Famílias patológicas ou mortíferas.
Podemos fazer questionamentos importantes que levam as conclusões diante da pesquisa. Para isso questões são levantadas, questões fundamentais como:
Como as forças da vida ou não vida podem circular numa família?
Como a vida pode se exprimir através dos campos de forças contraditórias, de movimentos circulares, de definições e atribuições de papéis mais ou menos portadores de vida?
Algumas famílias funcionam num nível primário e parecem se contentar com tal modo de vida, outras se mostram mais exigentes, tanto em relação ao que recebem do meio ambiente onde se situam como em relação ao que desenvolvem e devolvem para o meio exterior.
A troca que se estabelece entre um determinado meio e uma família está relacionada com as aspirações do próprio grupo familiar.
Será que uma família viva se define por seu nível de aspiração?
Para se considerar uma família viva é necessário se ater, que a família passou da reprodução à procriação, de um ser singular para a diversificação, tendendo a uma autonomia crescente.
Uma família viva estaria próxima a este nível de transmissão biológico, sendo que numerosas famílias resistem a qualquer mudança. Muitos pais gostam de manter as próprias características pessoais e dos ancestrais dentro de suas famílias.
Não é sem risco que uma família conduz seus membros a se transformar em pessoas verdadeiramente únicas e bem diferenciadas.
A atenção aqui é focada no ao vínculo entre conceito de família viva e de originalidade.
A família mortífera seria aquela família que prende seus membros num gueto sufocante, onde os limitados centros de interesse se tornam rapidamente caducos, já que não se enriquecem rapidamente.
As famílias geradoras de vida se apresentam em conexão estreita com o meio ambiente. Na realidade ela está menos protegida das perturbações vindas do meio ambiente, pois as trocas com exterior são múltiplas.
Os sistemas vivos possuem uma capacidade de usufluir das flutuações devidas ao acaso, dos acontecimentos traumáticos ou não, para produzir o novo e se diferenciar ainda mais.
Como uma família viva transmite aos seus descendentes uma herança assimilável?
Será que todas as famílias geradoras de vida são famílias de criadores?
Não podemos afirmar a pergunta acima. A resposta é não necessariamente a família precisa produzir uma grande obra para estar viva. Famílias de criadores permitem que seus membros transformem o "tesouro familiar" em obra de criação reconhecida. Favorecendo a troca constante do que ocorre no interior da família com a sociedade.As famílias de criadores estimulam a atividade de auto-organização. (são capazes de criar novas estruturas a partir de perturbações no trajeto).
A herança familiar, os percalços, reservatório real e mítico tudo isso constitui uma massa de materiais heteróclitos, preciosos para os criadores, desde que isso possa ser objeto de uma transposição.
Os estudos das famílias de criadores, como as dos artistas receberam informações reveladoras.
Para que reconhecer uma família viva?
A ausência de sintomas ou a adaptação ao real constituem marcas suficientes, ou podemos ter algum outro olhar?
São raros os estudos feitos com famílias de criadores, e isso dificulta a sua pesquisa. As biografias encontradas limitam-se a traçar o próprio perfil do criador e falam muito pouco da família que o cerca.
Vamos nos deter nestes aspectos:
1- Os sintomas.
Todo grupo familiar que inicia uma terapia o sofrimento do grupo é tão grande que na verdade são os sintomas os protagonistas. O sintoma qualquer que seja, parece então invadir, ocultar todo o resto e provocar uma cascata de processos geralmente desvitalizantes.
Os membros da família não agüentam gastar suas energias em vão e colher um constante fracasso, tão deprimente para todos.
2- Mitos e culturais.
Quais são as heranças da família? Estudos verificaram como famílias célebres por seu élan criador, puderam transformar em força da vida as forças de morte que as atingiam.
Qual percurso estes grupos não se agarraram e certos sintomas dolorosos mas, se desvencilham disso através do uso de seus talentos. Nesses grupos onde convivem muitos criadores carregam talentos, mas também muitos sintomas.
"...as correntes profundas da vida familiar, onde o pior e o melhor são vividos pelo homem" (J. L. Framo, Psychothérapies familiales).
As famílias não gostam de desvelar suas intimidades e tornam estudos de aprofundamento mais difíceis do que outros. As famílias ditas normais, sem problemas específicos aparentes não permite que o pesquisador penetre.
Obras de criação, sair dos caminhos batidos e abalar a tradição isso está longe de representar algo valioso e honroso pelo menos enquanto o criador atingiu o reconhecimento.
A sublimação que é o processo inerente a todo trabalho de criação, pode ser considerada como um mecanismo eficaz de liberação do Ego.
Então favorecer a criação é uma das maneiras de promover a vida e sua constante renovação.
Para que os membros de uma família não fiquem presos por sintomas psicopatológicos irredutíveis, são necessárias algumas condições. Não devemos considerar que os processos criadores sejam em si inofensivos, na realidade eles jorram das forças pulsionais do individuo e esses processos veiculam forças da vida, mas também forças da morte.
Qual o tipo de estrutura familiar favorável à criação?
As famílias que favorecem um caminho criador não são necessariamente famílias sem sintoma.
Ter um sintoma pode levar qualquer um a criar para se afirmar contra a dificuldade e superá-la integrando-a a criação.
Em alguns casos a expressão patológica dará lugar à concretização do talento e constataremos o desaparecimento do sintoma. Em outros casos o sintoma permanece. A relação do sujeito e do grupo é no entanto, modificada pelo viés da atividade criadora, que facilita a tolerância e a integração de elementos patológicos.
Dentro disso considera-se que, deve-se menos suprimir o sintoma do que permitir o surgimento dos processos criadores. Para que os sintomas possam se inscrever numa dinâmica criadora, devem-se articular-se com certos processos que acreditamos também ser criadores.
Se a família possibilita para seus membros um espaço transacional e garante uma função de "continente" e de "contenedor" cada um encontrará no quadro familiar um pedaço que favoreça toda a forma de criação, inclusive a que lhe serve.
Este é uma contextualização dos estudos de MOREL, Deni.

Monica Borine é Doutoranda em Psicologia da Saúde e Avaliação em Saúde Mental. Tem Mestrado em Psicologia da Saúde em Neuropsicofisiologia pela USP/UMESP. É Psicóloga clínica a mais de 20 anos. Educadora, Pedagoga e docente. Pesquisadora da Consciência, corpo, emoção e cognição. Formada em Hipnose Clínica pelo Centro Oswaldo Cruz – USP, Psicoterapeuta Corporal, Psicoterapia Reichiana, Análise bioenergética. Pós graduada em Core Energetics pelo New York Institute, USA com Dr. John Pierrakos.
Fale com a Autor(a): contato@inic.com.br