por Manoel José Pereira Simão
Hoje quero enfatizar um tema muito emergente para os seres humanos: a possibilidade de integrar a ciência e a religião.
Não há, no mundo moderno, nenhum tópico mais importante e atual do que a relação entre ciência e religião. A ciência é, indubitavelmente, um dos métodos mais profundos encontrados pelo homem para descobrir a verdade, ao passo que a religião ainda é a maior força propulsora de significação.
Verdade e sentido, ciência e religião, como juntá-los de maneira aceitável?
A ciência e a tecnologia criaram uma estrutura global e multinacional de sistemas industriais, econômicos, médicos, científicos e de informação. Por mais benéficos que sejam estes sistemas, todos eles, em si, estão desprovidos de significado e de valor. A ciência nos diz o que é e não o que deveria ser.A ciência nos fala de átomos, moléculas e galáxias, dados digitais e sistemas de rede; ela nos diz como uma coisa é, mas não se ela é boa ou ruim, sendo assim, a ciência é um esqueleto sem valores, por mais funcionalmente eficaz que possa ser.
A religião entrou alegremente neste colossal vácuo de valores. O significado religioso tenta florescer dentro do esqueleto cientifico da verdade, muitas vezes negando a própria estrutura cientifica.
Temos, então, a bizarra estrutura do mundo de hoje, uma estrutura cientifica que é global em seu alcance e onipresente por suas redes de informação e comunicação e que forma um esqueleto sem sentido, dentro do qual, centenas de religiões, antigas e modernas, criam valores e significados para bilhões de pessoas. Mas ambas, ciência e religião, negam o significado e a realidade uma a outra. Isto cria uma ruptura no mundo atual, se não surgir algum tipo de reconciliação entre elas muitos entendidos ventilam que o futuro da humanidade será, na melhor das hipóteses, precário.
Podemos hoje dizer que a essência religiosa é a grande cadeia do Ser. De acordo com essa idéia quase universal, a realidade é uma rica tapeçaria de níveis entrelaçados, abrangendo desde a matéria até o corpo, até a mente, até a alma, até o espírito. Cada um dos níveis mais elevados "envolve" ou "abarca" dimensões menores como se fosse uma série de ninhos, dentro de ninhos, dentro de ninhos do Ser. Isso ocorre de tal maneira que cada forma ou acontecimento no mundo esteja entrelaçado com cada um dos outros e todos estejam finalmente envolvidos pelo Espírito, por Deus, pelo Tao, por Alá, por Bhraman, ou pelo próprio Absoluto.
Integrar a Ciência e religião é uma visão do mundo contemporâneo, para isso necessitamos usar de honestidade sem que, ciência ou religião, sejam esticadas ou deformadas a ponto de ficarem irreconhecíveis, precisaria ser uma integração que realmente seja aceita por ambas as partes. Uma síntese assim juntaria o melhor da sabedoria contemporânea com o brilhante conhecimento, unindo-se a verdade e o sentido de maneira ainda não alcançada pela mente no momento, pois a ciência nada mais é que a busca da verdade e a religião a busca do sentido.
Para tanto seria como um contrato nupcial caso conseguíssemos encontrar uma forma de integrar a Grande holarquia do Ser.
A nossa ciência explica o externo da dimensão da percepção do homem e a religião o interno da percepção do homem.
Para tanto, se as religiões se mantiverem no sentido essencial e a ciência nas verdades essências, e fazendo paralelos sem preconceitos, poderemos encontrar congruências profundas e percepções conjuntas. Podemos citar o profundo e imenso trabalho que a física quântica vem fazendo neste sentido do inusitado, questionando a própria ciência e beirando ao sentido do divino. Como é o caso do físico hindú e Ph.D. Amit Goswami. em seu livro "O Universo auto-consciente".
Este artigo foi elaborado dentro da visão integral do filósofo Ken Wilber.
Publicado no Jornal Atibaia Notícias em 16/04/2002. - Espaço Consciência sem Fronteiras.

Manoel José Pereira Simão é Psicólogo, mestrado em neurociências e comportamento pelo NEC- USP, pós-graduação em psicologia e Saúde pela UNIMARCO, especialização em psicoterapia transpessoal , TRVPeres e terapia cognitiva-comportamental.
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